sábado, 30 de julho de 2016

Review "A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha" (Millenium #4)

Parece que chegou outra vez aquela altura em que sinto culpa por ter um blog aberto e não lhe ligar nenhuma... Todos os dias tenho ideias para posts e depois não as ponho em prática não sei porquê. É então, quando acabo de ler este livro, que sinto que tenho de falar sobre ele. A mini review que escrevi no GoodReads simplesmente não me foi suficiente.
Custou-me a pegar no primeiro da saga Millenium, que andava cá por casa. Mas quando comecei a ler e a entrar na história, devorei a trilogia toda. Dei cinco estrelas a todos. Escrita fabulosa, daquela que nos prende à acção. Personagens ricas, principalmente a Lisbeth. Temas fracturantes a serem desmascarados ao mundo inteiro (vamos aqui relembrar que o autor da trilogia morreu em circunstâncias estranhas).
Como seria de imaginar, foi com grande expectativa que comecei a ler este quarto livro da saga, que tinha sido começado pelo autor mas que, devido ao que já disse acima, foi terminado por David Lagercrantz.



Ora bem, o primeiro ponto a salientar é a escrita do livro. Nota-se logo que não é trabalho do mesmo autor. Não sei até que ponto é que isso também pode ser culpa da tradução, mas não consigo lidar com a falta de vírgulas. E se faltavam vírgulas, senhores! Portanto, escrita com menor qualidade significa menos vontade de ler e dificuldade em prender-me à história, mas adiante, decidi continuar.
Depois, é todo o enredo em si. Parece que um professor/investigador qualquer inventou um programa muito sofisticado de inteligência artificial, e alguém de uma empresa queria roubar a tecnologia. O homem acaba por eliminar o trabalho todo, mas é morto na mesma. Deixa na cena do crime o seu filho autista (só podia), que depois se descobre que é louco por matemática (surpreendente, not) e que consegue desenhar com uma precisão fotográfica, acabando por retratar no papel o assassino do pai.
Onde entram as nossas personagens habituais? O Mikael foi a casa do homem na noite em que este morreu, viu o assassino de relance e depois fica encarregue de escrever o artigo referente a toda a aventura.
A Lisbeth, a maravilhosa, corajosa, irreverente, ninguém-faz-farinha-comigo Lisbeth, passa o livro inteiro a fazer de ama para o puto autista (entretanto fogem para algures) e a tentar aperfeiçoar um software que ela quer usar para ter acesso a um ficheiro que roubou dos computadores da NSA (sim, dos EUA). O resto das personagens continua a vida muito pela rama: os inspectores que já conhecemos a serem tolos e a deixar tudo passar-lhes ao lado e a Erika a gerir a Millenium. Ponto.
O livro é francamente aborrecido até chegar aí à página 300, quando percebemos que, por detrás do assassinato do investigador, está mais um dos fantasmas do passado de Lisbeth, e ficamos por aqui para isto ser o mais spoiler free possível. O problema é que daí a 200 páginas o livro acaba e perde-se o arco mais interessante de toda a história.
De forma resumida, aqui está o que considero errado com este quarto livro da saga Millenium:
1 - Menor qualidade de escrita;
2 - O tema do livro em si... Tal como li nas reviews de outros leitores, passamos de temas como tráfico humano, prostituição, violência contra as mulheres na Suécia, máfias da droga, para invasões de computadores, falta de privacidade online, softwares, bugs, espionagem empresarial... Mais vale ver um episódio do CSI Cyber, estou-vos a dizer;
3 - As personagens estão apagadas e deixam muito a desejar, tendo em conta o que conhecemos delas dos livros anteriores;
4 - Quando a história fica interessante (regresso do tal fantasma que falei acima), o livro acaba. Ficamos o tempo todo a ler sobre informática e quando a coisa começa realmente a aquece, acaba.

Pronto, não vou dizer que me arrependo de ler, porque deu para matar as saudades da Lisbeth. Mas sabe a pouco, a muito pouco. Se alguém vier aqui parar a ponderar se lê o quarto livro ou não, digo francamente que NÃO!! Deixem-se estar com as boas memórias da trilogia e pronto. Acreditem em mim.

Entretanto, ontem li um livro de rajada antes de dormir. É o "Pequenos Vigaristas", da Gillian Flynn, provavelmente a minha escritora preferida dos últimos tempos. Talvez também escreva a review desse. Gostei de voltar, tenho de voltar mais vezes.

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