terça-feira, 5 de janeiro de 2021

a reflexão de ano novo que ninguém pediu

Olhem, não sei. Não sei porque é que estou a escrever este texto, acho que é porque simplesmente tinha saudades de escrever. De me conectar comigo mesma através de palavras partilhadas, mesmo que os leitores sejam escassos, que o tempo dos blogs tenha passado à história e que ninguém tenha paciência para ler posts grandes. Preciso de escrever para me libertar e ganhar perspectiva.

Mas não é só isso que eu não sei. A verdade é que eu não sei nada sobre coisa nenhuma. O que quero fazer da vida? Que direcção quero tomar? Para onde vou? O que quero construir? Que objectivos tenho? Não sei.

Em Abril do ano passado fiquei desempregada ao chegar ao término de um contrato que não se renovou. Estando eu infeliz a nível profissional desde que comecei a trabalhar, tenho o privilégio de poder dizer que perder este trabalho foi mais uma bênção. A pior parte de ficar desempregada em pleno ano de 2020 era ter de fingir aos outros que tinha sido um azar e que agora tudo ia ser muito complicado, e “vamos ver…”.

Vamos ver… porque não sei.

Aproveitei todas as desculpas e mais algumas para não ter de procurar um trabalho normal. Estávamos em plena pandemia, o mundo virou as regras, estava tudo do avesso. Paralelamente, agarrei-me ao meu projecto astrológico, que tinha começado a crescer a bom ritmo ainda em Março. Talvez esta fosse a minha solução mágica, finalmente o universo tinha respondido ao meu pedido de ter uns tempos de pausa, em suspenso de responsabilidades, para eu fazer crescer o meu projecto.

O problema que ninguém nos diz e só descobrimos no terreno é este: para um projecto pessoal singrar tens de ultrapassar muitas barreiras internas. As tuas inseguranças e bloqueios saltam todos ao de cima. Para ajudar à festa, eu própria reconheço que sou preguiçosa, não dou o melhor de mim, tenho muita pouca auto-disciplina e uma facilidade assustadora em desistir e abandonar as coisas a meio.

Não me interpretem mal, apesar disto tudo eu mantive-me fiel à minha página, consegui até tirar algum rendimento financeiro dali, e vivi um grande crescimento a nível pessoal. Lembro-me de, em Janeiro ou Fevereiro, andar a discutir comigo mesma a hipótese de dar consultas de astrologia, cheia de medo de não ser boa o suficiente. Cheguei ao final do ano a esgotar sempre as minhas vagas para a leitura do mapa. Isto é muito bom!

Só que não é excelente. E para conseguir viver do hobby, eu tenho de conseguir dar o salto de um trabalho muito bom para um excelente. Porém, mais uma vez, isso levanta outra série de problemas que nunca ninguém parece falar. Ou, pelo menos, só vejo isso a ser abordado agora. O problema de transformar o hobby num trabalho. Acontece que começas a associar-lhe as emoções negativas deste último, ao mesmo tempo que perdes a essência e a magia do primeiro.

Eu adoro Astrologia, acordo e deito-me a pensar nisto, é um verdadeiro mindset que só senti igual quando acabei a licenciatura e via (ainda vejo…) o mundo como o palco de toda a comunicação, publicidade e marketing que está constantemente a acontecer. Foi muito gratificante poder sustentar os meus parcos gastos graças ao meu trabalho como astróloga. Mas… cheguei aqui e estou cansada. Não sei o que fazer nem para onde me virar. Porque é que tenho sempre esta instabilidade dentro de mim? O que é que me falta para agarrar as coisas que amo com unhas e dentes?

Tenho uma teoria que diz que isto acontece porque eu nunca tive realmente de me esforçar para ter bons resultados. Sempre fui boa aluna sem ter a necessidade de ser a marrona. Tinha boas notas com um esforço mínimo, o que fez com que me contentasse assim, sem nunca trabalhar ou correr o extra mile para ser excelente. Na vida adulta e nas ambições pessoais, isto traduz-se em eu manter um fluxo contínuo de bom trabalho mas com resultados que ficam aquém das minhas expectativas.

Cheguei a Janeiro de 2021 com a maioria dos mapas astrais de Dezembro ainda por entregar. A minha cabeça está um caos, entre a bola de neve da procrastinação que estou a viver, e outros assuntos de foro mais particular que me estão a ocupar muito espaço emocional. Sinceramente, não quero ter outro ano de limbo. Sinto que preciso de tomar alguma decisão, meter rédeas na minha vida e ter um pouco de estrutura. A estagnação deve ser um motor de mudança, mas temos de nos pôr em movimento se queremos algo de diferente.

Não sei para onde vou nem como. Já pensei em diversos cenários, embora nenhum me apele particularmente. Sinto que trabalhar exclusivamente em comunicação e marketing já não é uma hipótese. Mas trabalhar na área… num organismo público? Seria uma hipótese? Teria essa sorte? Ou talvez devesse largar essa ideia, descer uns patamares, e ir para administrativa? Ou – quem sabe – e se fosse tirar um curso de cozinha? Sempre gostei de cozinhar mas nunca me permiti explorar isso. Será que devia voltar a trabalhar numa loja durante uns tempos? A máscara impede-me de ir por aqui, confesso. Então não sei.

Em meados de Setembro/Outubro tinha pensado para comigo mesma em fazer o compromisso de me dedicar a 100% ao meu projecto. O ano estava a acabar, e queria perceber se realmente conseguiria solidificar-me ali. Não correu mal, mas não consegui estabelecer nenhuma rotina nem nenhum método de trabalho que me desse entusiasmo para levantar de manhã. Entretanto, estamos em Janeiro outra vez. Não quero outro ano de limbo, mas se não sei que rumo tomar, talvez eu deva agarrar-me ao que já tenho como certo.

Este texto está trapalhão, fiel à minha confusão mental. Talvez tenha servido mais para me organizar e dar um boost de entusiasmo. Não está particularmente inspirador nem tem um final feliz nem uma lição de moral. Se chegaste até aqui, agradeço-te a paciência. Sei que não te esclareci nem dei nenhuma conclusão. O meu intuito era o de dar uma espécie de abraço, caso estejas a passar por uma situação similar, para perceberes que não estás só. Também estou no limbo, a sentir-se uma adolescente de 25 anos, quase 26. Sim, tenho medo do futuro e não, não sei o que vou fazer. Resta-me esperar que vá ficar tudo bem.

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Saí do Twitter e fiquei com medo de voltar

Ainda no mês de Outubro fiz logout do Twitter. Em sensivelmente dez anos de presença assídua naquela rede social, pela primeira vez fiz logout sem data para voltar a entrar. Passaram-se agora sensivelmente três semanas, e estou com medo de iniciar sessão.

A minha decisão não se prendeu com nada de especial. Não houve nenhuma revolta interna contra as redes, não entrei em nenhum escândalo que obrigasse ao recolhimento, nada. Apenas houve uma razão: queria concentrar-me no meu projecto pessoal e sentia que o Twitter era a minha maior fonte de distracção. Estava certa.

Os primeiros dois dias foram os mais complicados, admito. Qual ressacada, dei por mim a aperceber-me de um fenómeno estranho: a minha mente estava formatada para pensar em modo tweet. Tudo o que acontecia à minha volta era comentado por mim, mentalmente, em tom jocoso e de forma sucinta, bem ao jeito do que se lê na TL. Pensava para mim mesma "tenho de tweetar isto!". E, logo em seguida, perguntava-me: porquê? Por que é que tenho de usar megabytes de internet para dizer a estranhos que vou fazer papas de aveia?

Mas é aqui que reluz um pouco da magia do Twitter. Eu não estava a dizer a estranhos, eu estava a dizer aos meus mutuals, aos amigos do Twitter. Pois estamos sempre num flow de conversa solitária que se tem em conjunto, e dessa particularidade eu senti falta. Tenho saudades dos meus amigos do Twitter e, só por aí, vou voltar.

De resto, foi um alívio não estar constantemente zangada com os escândalos que aparecem todos os dias. Há sempre uma notícia má, há sempre uma bronca, há sempre um tweet do André Aventuras a rolar infinitamente. Porquê? Eu não quero voltar para isto. Então, vou voltar, mas com condições.

Estes foram os termos que vim a acordar comigo mesma para este novo regresso, que quero que seja mais consciente, equilibrado e saudável.

1. Fazer logout ao sair da rede

Este é dos métodos mais eficazes para nos manter longe das redes sociais. Se, de cada vez que abrimos a app, tivermos de colocar os dados de login, temos menos tendência para estar a ir ver. Além disso, livra-nos de ter sempre uma notificação chamativa. O que me leva ao segundo ponto.

 

2. Desligar as notificações

Retweet, respostas, novos seguidores, mensagem privada... Nada disso. Retirem as notificações e ganhem espaço mental. Espaço esse que tem de ser controlado ao máximo por vocês. Como?

 

3. Fazer uso do "mute" e do "block"

O tema enerva-te? Não queres ouvir aquela conversa? Aquela pessoa não simpatiza contigo nem tu com ela? Toca a colocar tudo no "mute" para poluir menos a TL. Em caso de emergência, o block está lá para se usar. Como medida extrema, não há nada que se compare à paz de espírito de pôr a conta a cadeado.

 

4. Interagir com consciência e moderação

Da mesma forma que nos sentimos poluídos pelos outros, também a nossa conversa pode ser desnecessária para o vizinho. Assim, da próxima vez que quiseres fazer um RT a comentar a polémica do dia, ou responder a um troll qualquer, pensa duas vezes. Pergunta-te se é necessário dar essa atenção, ou se podes comentar de forma mais sossegada, para teu desabafo.

 

Vou voltar. Gosto de estar informada e a par dos memes do mundo, e tudo acontece em primeiro lugar no Twitter. Além disso, tenho saudades dos meus amigos da rede e de todas as contas de Astrologia e ocultismo que sigo. Vou aplicar aquelas regras a mim mesma e ver como corre. A paz de espírito e o espaço mental que recuperei nestas três semanas foi ouro. E não quero vê-los a ser roubados pelo passarinho azul outra vez.

sábado, 22 de agosto de 2020

Lista de coisas que salvaram o meu Verão

Muito engraçada a forma como eu acabo por criar conteúdo a partir da minha procrastinação. Deveria estar a trabalhar em mais uma análise de mapa astral, mas enrolei o tempo, fiz um conteúdo para a minha página a celebrar a temporada de Virgem, e cá estou.

O exercício de escrever neste blog tornou-se curioso. Por um lado, já debito a maioria das minhas opiniões no Twitter. Por outro, sempre gostei de discorrer mais a fundo nos temas, algo impossível em 140 (280...) caracteres. Isto não tem visitas, muito menos seguidores, mas é um exercício criativo de que gosto. Um escape a todas as minhas presenças nas redes em que posso simplesmente fingir que estou a escrever para uma larga audiência. Ah, e com a vantagem de ainda desenferrujar a minha escrita.

Findo este preâmbulo completamente aleatório, venho aqui falar do Verão que se passou. Pronto, eu sei que *ainda* não passou, mas, honestamente, o Sol sai de Leão e eu já fico mentalmente no Outono. Lembram-se do meu post de Maio a chorar-me pela praia? Já fui, já vim, já não sei se tenho assim tanta vontade de voltar. Enfim, a eterna insatisfação humana.

O Verão passou-se bem, dentro dos possíveis do "novo normal" (linko desenvergonhadamente o meu último post aqui, sobre isto), graças a uns bocadinhos de magia aqui e ali que ajudaram a lidar com uns dias que se revelaram, para mim, um pouco solitários. Assim, apresento-vos neste post a Lista de Coisas que Salvaram o Verão 2020. Vamos dividir por partes.


NETFLIX & CHILL

Ok, malta, eu vejo MUITA Netflix e não me lembro de tudo o que já vi desde Maio, embora tenha andado umas semanas sem lhe ligar nenhuma. Posto isto, vou destacar aqui o que me marcou mais no Verão, e vou fazer por ordem do mais medíocre ao melhorzinho.

1. Cursed

Não conhecia, apareceu-me lá na homepage e eu vi que tinha magia e um ambiente medieval. Para mim, tá ganho. Vi sem grandes expectativas esta historieta Game of Thrones série C, que não me impressionou em nada. Plot fraquinho, personagens pouco desenvolvidas (tanto que pareciam ter todas a mesma personalidade) e nenhuma razão em especial para ficar a desejar uma segunda temporada. Ainda assim: tinha magia? Sim. Fez-me escapar à miséria do mundo? Sim. Divertiu-me? Sim!

 

2. Unsolved Mysteries

Opá, esta já mexeu mais com o sistema nervoso! O nome é auto-explicativo, mas cá vai: é uma série documental sobre vários casos que ficaram sem resolução. Bom, longe de mim fazer um políciaxplaining, mas pareceu-me que muitos destes casos ficaram por resolver porque não houve assim tanto empenho como isso em resolvê-los...? Se gostam deste tipo de conteúdo true crime, e ainda com uma pitada de aliens (Sim!), aconselho a ver porque vão ficar agarrados.

 

3. Down to Earth

A Down to Earth, aka a série do Zac Efron, foi a minha série preferida deste Verão. Via os episódios naquele intervalo entre o almoço e a ida à praia, e acabava por ficar numa vibe positiva e optimista. O fofinho Zac juntou-se a Darin Olien, um guru da vida saudável que eu não conhecia, e juntos foram descobrir aspectos sobre sustentabilidade, saúde e alimentação à volta do mundo. Dando a mão à palmatória a algumas das críticas, sim, é bizarro ver um episódio inteiramente gravado na Costa Rica sem ter a intervenção de 1 (uma!) pessoa local, por exemplo. Mas... No final do dia, eu adorei a série. Fez-me viajar, aprendi uma data de coisas novas e foi com agrado que matei saudades do meu boy magia máximo, vendo-o crescer de estrela teen de Hollywood para homem que, do alto do seu privilégio, procurou sair da sua zona de conforto, educar-se e tornar-se uma pessoa melhor. E ele está muito giro, também. Aconselho, aconselho, aconselho!


MÚSICA PARA OS MEUS OUVIDOS

folklore, da Taylor Swift

Quer dizer... estavam à espera que fosse outra coisa? Miss Swift intrigou-me com aquele teasing estética cottagecore-outono-sapphic-witch e conquistou-me com o álbum. Desliguei-me dela depois do 1989, cheguei a ouvir o Lover, não apreciando particularmente, mas com folklore a nossa Tay Tay veio colmatar um vazio que nós nem sabíamos que tínhamos. Comparei muito este momento com o que passei o ano passado, quando a minha rainha máxima lançou o seu Norman Fucking Rockwell, salvando aí o meu Verão de 2019. É um álbum que nos faz sentir muitos sentimentos, com uma sonoridade que já remete para dias mais curtos, um chá quentinho e uma fatia de bolo de maçã caramelizada. Tudo isto, embrulhados num cardigan... affff, o cardigan!


LIVROS, CONHESES??

[Só para o caso de chegar aqui uma pessoa aleatória, o nome da secção tem um erro ortográfico, sim. O "conheses" tornou-se um meme no Twitter tuga, depois de alguém perguntar a outra pessoa por lá se "conhesia" o 1984, do Orwell.]

Estou muito orgulhosa por me andar a dedicar mais à leitura! Se quiserem acompanhar o que ando a ler em directo, façam-se meus amigos no Goodreads. Talvez no final do ano faça um apanhado de todos os livros que li em 2020, mas por agora vou falar dos três do pico do Verão, por ordem de leitura:

1.  Big Magic - Creative Living Beyond Fear, da Elizabeth Gilbert

Só para avisar que os preconceitos literários ficam à porta! Sim, é a autora do Comer Orar Amar, livro que eu AMEI, por sinal!

Aqui, a autora apresenta-nos um guia para aprendermos a lidar com o nosso lado criativo. Se têm um hobby, uma paixão, um lado artístico, tudo isto e mais alguma coisa, aconselho este livro! Está cheio de dicas que nos ajudam a ultrapassar alguns medos e barreiras que nos impedem de criar mais e de viver a nossa Arte. Gostei que a autora mostrasse a sua perspectiva de vida (sabiam que ela só se tornou escritora a tempo inteiro depois do sucesso do Comer Orar Amar?), pois acrescentou uma boa dose de realismo que pode faltar a livros de desenvolvimento pessoal. Destaco particularmente a dica que ela mencionou sobre o medo e a insegurança: encará-los não como inimigos a combater, mas como companheiros de viagem. Dizer a estes dois senhores "eu sei que vocês estão aqui, e podem vir comigo, mas eu vou fazer o meu caminho na mesma". Como alguém que, lá está, sofre com a falta de confiança e reconhecimento do seu valor próprio, esta dica tem-me ajudado quando me sinto bloqueada pelas vozes na minha cabeça que dizem que eu sou uma fraude.


2. You Are a Badass: How to Stop Doubting Your Greatness and Start Living an Awesome Life, da Jen Sincero

Ok, já resolveram a questão da vossa criatividade acima. Agora, o vosso hobby tem potencial para se tornar algo mais e os medos vieram atacar outra vez? É porque está na hora deste livro. Sim, eu estou numa jornada de livros de desenvolvimento pessoal. Aceitei que, se até aqui achar-me mais fixe do que "estas coisas" não me ajudou grande coisa, então bora lá ouvir o que é que estes autores têm para dizer. A Jen Sincero passou exactamente pelo mesmo, e abre assim o livro, prendendo na primeira página o mais cínico dos cépticos.

Há coisas ali faladas que precisam de mais aprofundamento, e temos sempre de dar o desconto de que estamos a falar de autores norte-americanos. Aquele feeling do self made man está sempre presente, embora também tenham a sorte de poderem fazer negócio com praticamente qualquer coisa, bem como o objectivo de ser rico ou enriquecer, etc e tal. Separem o trigo do joio e tenham sempre a voz da razão presente quando lêem este tipo de livros. Ainda assim, eu adorei a escrita da Jen Sincero e, como alguém que está a tornar o seu projecto pessoal na fonte de rendimento, o livro deu-me ali uma forçinha que eu estava a precisar.


3. Becoming Supernatural, do Joe Dispenza

Este é o mais uuuuUUuuh dos três, mas para compensar, o dr Joe Dispenza é mesmo um médico e investigador científico. O livro fala dos benefícios da meditação e da sua ligação à cura de doenças e à manifestação de realidades físicas. Gostei muito de ler, principalmente pelos dados da investigação que Dispenza partilha, incluindo radiografias (?) a cérebros e medições de ondas cerebrais. No entanto, tenho de vos avisar de que este livro é denso. Às vezes parece mesmo que estamos a dar matéria, por isso vão com calma.

As minhas advertências em relação a este livro são as seguintes: o autor aborda a meditação de forma científica mas, também, mística e espiritual, pelo que se não estão à-vontade com um pouco de misticismo, este livro não é para vocês, para já. Mais uma vez, fala-se imenso de atrair dinheiro, empregos de sonho, férias pagas, etc (norte-americanos...). E, por último, pode parecer a quem lê o livro que basta seguir as instruções no final de cada capítulo para ascender a estados meditativos profundos. Não é bem assim... A meditação exige anos de prática. A beleza está mais no processo e não tanto no resultado.


HÁBITOS PESSOAIS

Esta secção serve para mostrar que não há conteúdo multimédia ou produtos de cuidado de pele que curem o que está mal em nós. Por vezes, temos mesmo de ser nós próprios a levantarmo-nos (literalmente) e a lutar pelo nosso bem-estar. O início do Verão não foi fácil, para mim. Andei enrolada nos meus pensamentos sobre a vida, o trabalho, o meu valor, enfim, a conversa de sempre. Estive muito desmotivada com o meu projecto, logo quando dei o passo maior, e, em cima disto tudo, passei muito tempo sem ver os meus amigos. Ok, há o telemóvel e tal, mas eu preciso de tempo de qualidade a conversar. Andei a sentir-me muito sozinha e lutei para dar a volta. Acredito que isto me ajudou:

1. Levantar-me cedo e ir ao café de manhã

Quando eu digo levantar-me cedo é aí numas sólidas 9h30... Seja como for, eu sou muito dorminhoca e levantar-me por volta desta hora ajudou-me a regular os meus problemas de sono (sim, eu sou dorminhoca mas tenho dificuldade em adormecer. Nós existimos!). Tomava o pequeno-almoço e ia para o meu café preferido cá da terra, com o portátil, para trabalhar. Adiantei muito conteúdo e muitos mapas nestas horinhas até voltar para casa e ir almoçar. Por norma, à tarde ia à praia. Ou fazia outro plano qualquer com os meus pais, ou voltava a trabalhar.

Sair de casa ajudou-me a lidar com algumas consequências do confinamento: a minha irritabilidade e falta de concentração. Estava naquele nível em que me exaltava com qualquer coisa que os meus pais me diziam, e não estava bem em lado nenhum. Além disto, eu gosto de estar sozinha e em casa isso quase não acontece. Ir trabalhar para o café ajudou-me a limpar a cabeça, a concentrar-me e a mexer as pernas.

O curioso é que, agora, já estou a ponderar alterar esta rotina. Mas ainda estou a acertar comigo mesma os pormenores.

2. Sair do telemóvel e ler antes de dormir

Passo muito tempo no Twitter, embora cada vez me irrite mais lá estar. As conversas saturam-se facilmente, cria-se uma bolha em que toda a gente manda o seu bitaite sobre o mesmo assunto, e acabamos todos esgotados emocionalmente. Para controlar isto, comecei a desligar o Wi-Fi do telemóvel por volta das 23h e passar antes o tempo a ler.

Agora, mesmo que ainda dê uma voltinha nas redes mais tarde, é imperativo que eu leia antes de dormir. É uma forma que eu tenho de acalmar a minha mente de tudo o que está a acontecer lá dentro, relaxando-me e deixando-me pronta para adormecer. Adianto muita leitura aqui, também!

3. Ser gentil comigo própria

Talvez desenvolva um post à parte para isto, porque este mindset ajudou-me muito. Decidi deixar de dar tanta atenção ao meu instinto para me recriminar e, em vez disso, mimar-me, compreender-me e ouvir-me mais. Atenção, isto não é para me deixar ser desleixada, mas para ter um tom compreensivo quando as coisas não correm como planeado. Ter calma comigo mesma caso adormeça e saia de casa mais tarde. Aceitar que está tudo bem quando não consigo acabar as coisas hoje porque estou desconcentrada, e empenhar-me mais amanhã. Perceber que preciso de descansar quando estou nos primeiros dias de menstruação. Ser gentil. Não benevolente, mas gentil.

4. Estar com os amigos

Uau quem diria que as saudades dos amigos se resolviam com... estar com os amigos?! Então, já ali nos finais de Junho e em Julho consegui estar com alguns dos meus amigos, conversar, conviver, cozinhar,... E soube muito bem! Ainda não consegui estar com outros, que isto não anda fácil para se combinar as coisas, mas matei saudades de pessoas muito importantes para mim. Dá sempre aquela motivação extra e um quentinho no coração! <3

 

E pronto, o meu Verão está aqui condensado neste longo post que ninguém vai ler. Tal como vos disse, já estou mentalmente no Outono e no próximo confinamento, pelo que ando a magicar qual é que vai ser a minha nova rotina daqui para a frente.

Até lá, prosseguimos com gentileza.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

O novo normal

Imagem algures do WeHeartIt

- Olá! Então, tudo bem? Agora não se pode dar beijinhos, não é? Eheheh. Então, como vão as coisas? De saúde, tá tudo bem? Isso agora é que é preciso. Tás a trabalhar? Opa, que chatice. Isto agora vai estar mau, vai, já viste o que é que veio aparecer? Quem é que ia imaginar uma coisa destas? Este vírus que veio sei lá de onde para dar cabo da gente. E ainda não acabou! Não há cura, eles ainda não têm vacina. Até lá vai ser assim, já viste esta bodega? Para mim o pior é a máscara. Quem diria que íamos andar todos de cara tapada. Eu não aguento a máscara, mas pronto, tem de ser. É uma maneira de nos protegermos. Não sei se no Inverno ele não vai ter de fechar tudo outra vez. Vai cair aí uma miséria. Então, isto não tá curado, ainda hoje apareceu outro surto. É um perigo, eu tenho muito medo. Evito de ir aos cafés, mas também diz-me lá para quê fechar às oito? Então mas o vírus só anda de noite?  Mas eu percebo, é para evitar cair tudo na miséria. Vamos cá passar uma crise, vai ser pior do que a troika. Ninguém estava preparado para isto. É assim. De resto, tudo bem? Comigo também, vai-se andando. Dá cumprimentos lá em casa, adeus!

domingo, 17 de maio de 2020

White Lines e a promessa de um Verão idílico

É bastante fácil para um filme cativar uma miúda que viajou pouco, fez poucas (ou nenhumas) férias paradisíacas, nunca foi para a colónia de férias, não tem casa de campo de família, nem passou um mês inteiro na terra da avó de alguém, longe da supervisão dos pais, das vergonhas e da pressão de tudo o que lhe é familiar: basta juntar um destino de praia longe q.b., corpos bronzeados e boa fotografia.

White Lines, da Netlix (2020)

Comecei a ver White Lines porque cumpre uma premissa básica para mim, no que toca ao entretenimento audiovisual: tem o Nuno Lopes no elenco. Se é um pai em busca pela filha desaparecida, um boémio rico, um engenheiro ou um colector de dívidas do tempo da Troika, eu não me importo. Entra o Nuno Lopes? Eu vejo. Com a mais recente produção da Netflix foi igual.

Entrar no universo de White Lines é aterrar numa Ibiza lotada e quente, sensual e cocaínada. Estou presa a esta série e não porque o argumento me entusiasme por aí além. Estou-me nas tintas para quem matou o Alex Collins, para as disputas das famílias magnatas da ilha ou para qualquer outra história de apoio ao argumento central. Ibiza nem faz o meu estilo, porque gosto de praias desertas cuja banda sonora são as ondas a rebentar e não a mistura EDM do DJ Residente.

A série cativou-me pelo mesmo motivo que me cativou a aventura da Liv Tyler, em Stealing Beauty, as cenas da Grécia no Quatro Amigas e um Par de Calças, o Call Me By Your Name, a boémia vazia de Une Fille Facile, um conto da Elena Ferrante ou o Mamma Mia. Porque junta um destino longínquo, mas estranhamente familiar, e uma aventura emocionante, durante aquela que continua a ser a minha estação do ano preferida: o Verão.

Liv Tyler em Stealing Beauty (1996)

Após incontáveis dias de crise do coronavírus, de sucessivos Estados de Emergência, de medidas de confinamento e dias a fio passados em casa, o que finalmente me está a fazer quebrar é a possibilidade de eu não poder ir à praia e simular, naqueles 20 minutos de caminho entre a minha casa e a Costa de Caparica, que estou a entrar no meu filme de vibe independente-mas-que-na-verdade-é-um-blockbuster que eu tanto queria que fosse um Verão da minha vida.

Une Fille Facile (2019)

Quero uma viagem para longe da minha casa. Quero calor e leituras à beira da piscina. Quero nadar nua no mar, usar vestidos frescos e fluídos, mas favorecedores. Quero ver as estrelas a partir do alpendre, e escrever no meu diário, à janela. Quero um romance de Verão que me faça passar muito tempo na cama. Quero fruta fresca e saladas. Quero a preguiça quente, o tempo a andar devagar e a sensação de que tudo está bem assim, que tudo está certo e que estou apenas a viver.

Já estou velha de mais para ter uma aventura balnear adolescente, embora ainda seja nova de mais para fugir da rotina de adulta e ter uma viagem de auto-conhecimento onde descubro que me quero divorciar, despedir-me do emprego médio e viver a tempo inteiro de chinelos de enfiar o dedo. Então, nos intermédios da vida e com uma perspectiva de um Verão incerto, resta-me viajar pelos olhos da Zoe e sonhar em voltar a sentir o calor do sol no meu corpo e o sal no meu cabelo.


P.S.: White Lines fez-me, ainda assim, perceber que eu até tenho saudades de dançar ao som de música alta (porque é algo que eu fiz poucas vezes) e, caraças, de ter um bom bronzeado. Não me lembro da última vez em que tive um bronzeado que se diga "sim, senhor, viveu um bom Verão!".