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quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Ode ao Sexo e a Cidade

imagem do instagram @satclines
 

Nos últimos meses eu e a minha melhor amiga revimos as 6 seasons d'O Sexo e a Cidade, na HBO. Ela estava a ver pela primeira vez, eu estava a rever tudo certinho - também pela primeira vez, curiosamente.

O Sexo e a Cidade entrou na minha vida quando eu tinha uns 14 anos. O primeiro filme saíra recentemente, acabei por alugá-lo depois num videoclube (Jesus...) e adorei. Mais tarde, a série voltou a passar na televisão, no extinto canal Sony. Aproveitei para ver, já que sempre tinha ouvido falar bem disto, não é? Ainda mais imersa fiquei naquele universo. Posso dizer que tive a sorte de, durante a minha adolescência, crescer com as histórias daquelas quatro mulheres.

Uns anos depois consigo perceber porque é que esta é uma série de culto. Estamos a falar de, em plenos anos 90, já termos uma Samantha Jones a falar sobre pansexualidade. Mas, vanguarda sexual à parte, o Sexo e a Cidade tem muito mais para nos mostrar e ensinar.

São seis temporadas onde ficamos a conhecer a fundo as quatro protagonistas. As suas histórias de engate e de amor, os percalços na carreira, mudanças de fé, luto, maternidade e amizade. A isto tudo temos ainda de acrescentar as imagens de Nova Iorque, a cidade que acaba por ser uma espécie de quinta protagonista da série.

Ora, mas não deixa de ser engraçado rever isto tudo com outra idade e novas experiências pelo meio. O que senti? O que achei? Mudei as minhas opiniões? Vou escrever-vos sobre os pontos-chave que tenho mais frescos na memória, dando-vos a minha perspectiva teen e a de agora.

As protagonistas

Tenho de começar pela Samantha. Aos 14 a Samantha apareceu-me como uma heroína pessoal. Coincidência ou não, acabei por partilhar a profissão com ela. Já na altura achava que a Samantha, sozinha, conseguia ser o feminismo inteiro da série. Sempre admirei a forma como ela era dona da sua sexualidade, o que acredito também me ter influenciado de forma positiva. Anos mais tarde, reconheço que tanta quantidade de parceiros aleatórios não serão o meu cup of tea, e que algo na Miss Jones cheira a medo de compromisso. Mas é a personagem da série, sem dúvida, ou a SJK não se teria picado tanto com a Kim Catrall.

A Carrie é um bico de obra. Na altura, lembro-me de adorar o estilo de vida (escrever uma crónica da treta semanalmente e estar sempre a ir comer fora com as amigas, em festas, etc.) mas não queria ser como ela. Até porque meio já achava que era, pois também tinha um Mr. Big a fazer-me de parva. Andiamo… Em 2021, vi a Carrie como uma mulher egoísta, presa aos seus problemas e com muito pouca empatia. Conseguia sempre fazer com que tudo fosse sobre ela, sendo ela própria muito tonta nas suas decisões. Santa paciência para a Carrie.

A Miranda foi quem mais cresceu em mim nesta revisão. Na altura, embora gostasse do plot girlboss, achava-a um tanto cínica demais. Anos mais tarde, sou igual, menos a parte do sucesso profissional. A Miranda é o verdadeiro pilar daquelas quatro. Pragmática e assertiva, com um bonito arco de crescimento ao longo das seis temporadas.

Por fim, a Charlotte sempre foi aquela com que me identifiquei menos. Ainda assim, acho a sua presença relevante. A Charlotte é o nosso lembrete em como é válido querer uma relação e constituir família. A história à volta do primeiro casamento está brilhante, alertando-nos para a fachada que os “casais perfeitos” podem encenar.

Aidan ou Mr. Big?

Aaah, o team Edward vs team Taylor dos anos 90. Aqui a minha opinião não mudou. Sou team Big, sim. Na minha opinião, quem acha que a Carrie devia ter ficado com o Aidan está a projectar os seus desejos pessoais. Se vocês são team Aidan sejam honestos: acham que aquilo era um casal ou queriam vocês estar enrolados com o boy rústico? A Carrie é feita para o Big e o Big para a Carrie. Complementam-se no narcisismo, na falta de noção e no estilo de vida. Não há outra hipótese.

O gajo do post-it

É com grande pesar que vos digo ter sido neste tema que a minha opinião mudou mais. Lembro-me de, em miúda, ter adorado o Berger. Ele parecia perfeito: também era escritor; o sentido de humor atirava mais para o amargo, mas aguentava-se bem; bem-parecido q.b. (a minha amiga discorda). Mas, na verdade, o Berger é um esquerdo-macho que te apoia muito desde que não tenhas mais sucesso do que ele. Menção honrosa para o conceito “he’s just not that into you”, que acabou por dar origem a um livro e um filme, se não me engano; e para a mítica cena dos scrunchies, razão pela qual nunca me irão ver a usar esses elásticos no cabelo. Enfim, Berger: i’m sorry. I can’t. Don’t hate me.

Há imensos pormenores que talvez aborde noutros posts. O essencial que têm de levar daqui é o seguinte: vejam esta série. Por favor. Vão ficar chocados com a actualidade dos temas, ao perceber que não evoluímos assim tanto em 30 anos. O Sexo e a Cidade é um clássico de culto e merece essa aclamação. Está bem produzido e muito bem escrito. Fosse esta uma série “de homens” e sabem o que todos nós a considerávamos sem hesitar? Genial.

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